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sábado, 5 de dezembro de 2020
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Ficção
Procura-se vida, como a que existe aqui. Baseada na água, no carbono.
Procura-se algo igual ao que existe aqui, mas o que existe aqui é a
única coisa que existe? Talvez a resposta não seja subestimar Algo tão
imenso, presumindo que a diversidade não exista lá fora como existe aqui
dentro.
Procura-se vida, como a que existe aqui. E tomara que jamais seja
encontrada, porque já basta de guerra, fome, desigualdade, ignorância,
descaso, indiferença. Torçamos para que sejamos o único exemplo desse
tipo de vida, porque Algo tão belo não merece a pequenez do que trazemos
por dentro.
Procura-se vida, diferente da que existe aqui. Para que seja possível
aprender e avançar, deixando para trás esses anos de escuridão
disfarçada. Procura-se vida, para que seja possível viver e conviver,
existir e coexistir, equilibrar e ser parte do equilíbrio.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
A luz dos anos
A luz dos anos foi se apagando, diminuindo. Minguou enquanto dormimos um sono estranho, de guerras e separações. A luz dos anos foi se escondendo daquilo que fomos nos tornando: um emaranhado de conflitos e distâncias.
A luz dos anos nos estuda mais do que nós mesmos, percebendo todas as nuances em nossas muitas mudanças. Nossas idas e vidas. A luz dos anos se distanciou, levando consigo sua grande sabedoria.
A luz dos anos nos estuda mais do que nós mesmos, percebendo todas as nuances em nossas muitas mudanças. Nossas idas e vidas. A luz dos anos se distanciou, levando consigo sua grande sabedoria.
A luz dos anos está agora a anos-luz.
Mas, um dia, vai voltar...
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Estrelas
Brilham fugazes em luzes e gases, anos luz de onde estamos, enquanto estamos perdidos. Alguns dizem que já morreram, e na morte encontraram forma de viver, enquanto vamos vivendo, lutando para encontrar uma forma de morrer.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Interferências
... sim, estamos aqui... Alô? shhhhhh -- Sim, Terra -- fffsssshhhhhamamos há anos, mas nunca houve resposhhhhh... Gostaríamos, todos, de algumas resposhhhhh sofremos demais à toa, e à toa sofremos demaisfsssshhhhh...
... sim, achamos que já estamos prontos... Olá? Ah... então, só estamos pedindo que apareçam, quando dershhhhh... porque já estamos cansados de pouco aprenderfsssshhhhh... Alô? Ffsssshhhhhacho que vamos precisar de ajushhhh...
... sim, achamos que já estamos prontos... Olá? Ah... então, só estamos pedindo que apareçam, quando dershhhhh... porque já estamos cansados de pouco aprenderfsssshhhhh... Alô? Ffsssshhhhhacho que vamos precisar de ajushhhh...
Pulsos
Olá? Estamos aqui, estamos em casa. Espero que saibam onde é que fica. Estamos sentados, deitados, em pé. Estamos tentando enxergar tudo o que é, e não é. Estamos pedindo demais e entregando de pouco, estamos um pouco dispersos, distraídos com os giros do globo. Alô? Alguém?
domingo, 8 de maio de 2011
Rádio
Alô? Olá? Tem alguém aí?
De quando em quando eu tento me comunicar, saber o que acontece. Saber o que existe além da minha esperança, que esmorece. Eu tento, eu mando sinais, eu espero demais. Me canso. A antena enferruja, as ruas se esvaziam, o véu da noite desce, flutuando lentamente, levando embora mais um dia.
De quando em quando eu tento falar, me comunicar. Conjugar os verbos certos, nos tempos certos, pra ninguém se espantar. Já tentei de tudo, de convite a SOS. Realmente não sei o que acontece. Não pode ser defeito, já testei e retestei de tudo que é jeito. Realmente não sei mais o que pode ser feito.
Alô? Olá? Tem alguém aí?
Não é a primeira vez que eu tento, eu tento o tempo todo, em todas as frequências. Em todas as sequências. É impossível que, em meio a tanta imensidão, em tanta quantidade, não haja uma resposta. Não é possível que eu esteja tão sozinho em meio a tantos exageros. Alô? Alguém?
Ninguém.
De quando em quando eu tento me comunicar, saber o que acontece. Saber o que existe além da minha esperança, que esmorece. Eu tento, eu mando sinais, eu espero demais. Me canso. A antena enferruja, as ruas se esvaziam, o véu da noite desce, flutuando lentamente, levando embora mais um dia.
De quando em quando eu tento falar, me comunicar. Conjugar os verbos certos, nos tempos certos, pra ninguém se espantar. Já tentei de tudo, de convite a SOS. Realmente não sei o que acontece. Não pode ser defeito, já testei e retestei de tudo que é jeito. Realmente não sei mais o que pode ser feito.
Alô? Olá? Tem alguém aí?
Não é a primeira vez que eu tento, eu tento o tempo todo, em todas as frequências. Em todas as sequências. É impossível que, em meio a tanta imensidão, em tanta quantidade, não haja uma resposta. Não é possível que eu esteja tão sozinho em meio a tantos exageros. Alô? Alguém?
Ninguém.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Para os átomos
Olá, estamos aqui, nessa rocha suspensa, a terceira a partir da estrela, girando sem parar. Estamos aqui, tentando encontrar um caminho a seguir, uma palavra a dizer, um momento para partir, algo novo a fazer. Olá, estamos aqui, esperamos por vocês, não sabemos se realmente existem, pedimos um sinal, uma visita.
Nós enviamos palavras, sinais, discos, músicas. Fórmulas, parcos conhecimentos. Nossa pobre tecnologia. Enviamos preces, desejos, pedidos. Fazemos tudo o que podemos, mesmo que não faça sentido. Nos sentimos solitários diante de tamanha imensidão, somos bilhões, mas estamos imersos em grande solidão.
Somos sentimento, razão, emoção. Erramos com os erros, acertamos sem querer disfarçar nossa indecisão. Plantamos, extraímos, poluímos, remendamos. Desconhecemos as magias, ignoramos as ligações entre tudo o que existe, nos esquecemos que somos parte de um todo que sobrevive além dos dias, meses, anos que dividem nossas vidas.
Clamamos por um contato, um chamado, qualquer dia. Queremos algo novo que nos prove quantos anos nós perdemos cultivando ignorância. Precisamos provar a nós mesmos que temos importância diante de tamanha grandiosidade. Mesmo relutando em demonstrar toda a nossa generosidade.
Precisamos de uma mão, um mapa, um guia. Algum sinal de inteligência mais inteligente do que a nossa teimosia. Uma palavra, um ombro amigo. Queremos um ponto final ao que temos discutido. Uma resposta para o amor que sentimos por algo ou alguém que desconhecemos, precisamos de algo que não temos.
Olá? Estamos aqui!
Nós enviamos palavras, sinais, discos, músicas. Fórmulas, parcos conhecimentos. Nossa pobre tecnologia. Enviamos preces, desejos, pedidos. Fazemos tudo o que podemos, mesmo que não faça sentido. Nos sentimos solitários diante de tamanha imensidão, somos bilhões, mas estamos imersos em grande solidão.
Somos sentimento, razão, emoção. Erramos com os erros, acertamos sem querer disfarçar nossa indecisão. Plantamos, extraímos, poluímos, remendamos. Desconhecemos as magias, ignoramos as ligações entre tudo o que existe, nos esquecemos que somos parte de um todo que sobrevive além dos dias, meses, anos que dividem nossas vidas.
Clamamos por um contato, um chamado, qualquer dia. Queremos algo novo que nos prove quantos anos nós perdemos cultivando ignorância. Precisamos provar a nós mesmos que temos importância diante de tamanha grandiosidade. Mesmo relutando em demonstrar toda a nossa generosidade.
Precisamos de uma mão, um mapa, um guia. Algum sinal de inteligência mais inteligente do que a nossa teimosia. Uma palavra, um ombro amigo. Queremos um ponto final ao que temos discutido. Uma resposta para o amor que sentimos por algo ou alguém que desconhecemos, precisamos de algo que não temos.
Olá? Estamos aqui!
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